Estamos em realidades muito distintas. Existe uma não só para cada indivíduo, como para cada sentido de uma criatura. Uma pessoa surda tem menos uma dimensão sensorial na sua soma de realidades, mas a natureza dos sentidos faz com que essa soma não seja uma soma, e sim uma fórmula mais complexa, à medida que se adicionam e retiram perspectivas.
E essas perspectivas mudam, tal como as estações do ano, ao longo do espaço-tempo.
Tendo isto em conta (encontramo-nos aqui numa nova realidade temporária, enquanto se lê esta frase), é espantoso como esta complexidade actua no backstage do universo, e podemos simplesmente olhar nos olhos de outra pessoa e a entender quando ela nos fala das experiências - isto para não falar de todo o milagre que é a linguagem, um colosso em si no que toca a coisas extraordinárias.
É a tal noção de que vivemos num rio de improbabilidades. A relatividade diz-nos que tudo o que existe é incerto, visto que a única certeza é a sua ausência.
Tocando flauta, plenamente audível nas traseiras de cada mente, um pequeno ser pisca o olho à nossa curiosidade.
- Ei, o que estás aí a fazer? -.-
- Eu?
- Não vejo aqui mais ninguém... sim, tu.
- Ora, eu apenas sou filler.
- Filler?
- Sim, conteúdo cinzento, um pouco como o cimento, uma sinapse entre o nada e o nada depois desse nada, não confundir com o nada anterior a esse nada, esse é outro nada, não um dos nada que referi.
A flauta continua.
- De qualquer maneira, eu não perguntei o que eras, mas sim o que estás a fazer... -.-
- Sim, e ainda utilizaste a palavra "aí", ou seja, se der um passinho para o lado...
- Dá um passinho para o lado -
- A tua questão pertence ao passado, e eu não lido com o passado.
- Soa-me bastante saudável.
- O quê?
- Não lidar com o passado.
- Tem as suas desvantagens, mas não me digas que nunca experimentaste :o
-.-
- -.-
.--. .... .- ... .. -. --.
O pensamento é a base do ser humano, lá dizia Descartes: "Cogito, ergo sum". Penso, logo existo
07/07/2013
21/03/2013
Pavio
Todos os dias vejo velas que se deixam decapitar pelo vento.
Na minha perspectiva é triste, porque até não parece ser um vento forte.
Na minha opinião é óbvio que não querem continuar acesas.
Tenho pena da cera, e dou por mim a pensar por ela.
"Será que ainda sou vela? Pode ser que sim.
Mas não me iludo, a imagem de vela tem chama.
Sem chama, sou uma vela apagada, não uma vela.
O mesmo fogo que lentamente a eliminava,
Era o fogo que a chorava, gota a gota,
Ao longo da sua cera.
Exteriorizando assim a sua alma.
Que será da cera, agora,
Sem chama, não é vela,
Sem fogo, não tem alma,
Sem vento, não tem desculpa.
Pobre de mim? Nem sei o que sou. "
É para mim bastante trágico, este conceito de vela apagada. Na minha cabeça vejo um cenário gráfico, explicitamente errado, como as entranhas de um animal na estrada. A desmistificação do homem num objecto comum, as gotas de cera duras numa vela outrora jovem, cheia de rugas.
A morte é tão natural que é natural que o homem a desnaturalize. Queremos vencê-la por meio de tributo. Em cada peça de arte, cada ficção, lá está ela, o fim inevitável. Porquê tanto medo?
Ninguém ainda humano aceita a sua morte nos outros. Isto é um bom sinal, dizem. Sinal de que continuamos empáticos, ainda que a um nível primal.
Nem sei já se existe ironia, nisto de ter que estar vivo para assistir aos outros morrerem. Sei que se algum dia tiver de acender uma vela, vou ter o cuidado especial de não passar em frente a um espelho.
Na minha perspectiva é triste, porque até não parece ser um vento forte.
Na minha opinião é óbvio que não querem continuar acesas.
Tenho pena da cera, e dou por mim a pensar por ela.
"Será que ainda sou vela? Pode ser que sim.
Mas não me iludo, a imagem de vela tem chama.
Sem chama, sou uma vela apagada, não uma vela.
O mesmo fogo que lentamente a eliminava,
Era o fogo que a chorava, gota a gota,
Ao longo da sua cera.
Exteriorizando assim a sua alma.
Que será da cera, agora,
Sem chama, não é vela,
Sem fogo, não tem alma,
Sem vento, não tem desculpa.
Pobre de mim? Nem sei o que sou. "
É para mim bastante trágico, este conceito de vela apagada. Na minha cabeça vejo um cenário gráfico, explicitamente errado, como as entranhas de um animal na estrada. A desmistificação do homem num objecto comum, as gotas de cera duras numa vela outrora jovem, cheia de rugas.
A morte é tão natural que é natural que o homem a desnaturalize. Queremos vencê-la por meio de tributo. Em cada peça de arte, cada ficção, lá está ela, o fim inevitável. Porquê tanto medo?
Ninguém ainda humano aceita a sua morte nos outros. Isto é um bom sinal, dizem. Sinal de que continuamos empáticos, ainda que a um nível primal.
Nem sei já se existe ironia, nisto de ter que estar vivo para assistir aos outros morrerem. Sei que se algum dia tiver de acender uma vela, vou ter o cuidado especial de não passar em frente a um espelho.
11/10/2012
01/03/2012
Maskception
Alguma vez alguém vos acusou de se comportarem de maneira diferente conforme a quem se dirigem, ou em que situação se encontram? Do género: "Com o gajo X não falarias dessa maneira" -
é daquelas coisas que depois de ditas parecem óbvias, mas penso ainda haver uma enorme negatividade associada a esta vertente do ser humano.
Somos multi-facetados ya? Mal seria se nos comportássemos da mesma maneira em todas as situações. O curioso é que o pessoal que acaba por cair no erro de pensar "Um ser humano é a mesma pessoa todos os dias em qualquer lugar" - é frequentemente o mesmo pessoal que se escandaliza quando um amigo/familiar a quem quer apresentar um novo colega do Canadá (para efeitos de exemplo digamos que os Canadianos são chiques) não muda a sua maneira de estar para se adequar à visita.
A hipocrisia está sempre presente, mas uma pessoa habitua-se ao cheiro - agora quando ela arranha as cavidades nasais ao ponto de abrir feridas internas no canal olfactivo é caso para comprar um daqueles sprays que vendem no lidl... ai, como é que se chamavam?... aquela fragrância que remetia para o avanço socio-psico-outras coisas acabadas em ico-intelectual de um indivíduo e em consequência para um melhor futuro para a raça humana... ai... está na ponta da língua (ou nariz, neste caso)... AAAH! Auto-Análise - aquela feita na cabeça de cada um, não a que é feita com cruzinhas na internet ou na revista Maria.
Moralidade Auto-Suficiente
É difícil entender como alguns ciclos têm início ou fim, por isso vamos apenas imaginar que eles mudam a sua forma sem mudar o seu conteúdo.
Imaginem-se no cinema com 5 anos a ver um filme que vos marca para sempre com a lição: "A coragem não é a ausência do medo, mas a inexplicável chama interior que leva uma pessoa a cumprir uma tarefa apesar da sua presença". Hoje, com a maturidade de longos anos que se tornaram curtos, vocês lembram o que sentiram quando saíram da sala de cinema com uma lágrima nostálgica, mas na superfície dessa lágrima reconhecem um ponto de interrogação desenhado pela dúvida: "Aquela mensagem definiu-me enquanto ser humano. Quem fez o filme deve ter passado por algo que o fez querer passar a mensagem a outras pessoas - Será que esse algo foi ver um filme em criança?"
Fazemos histórias baseadas na vida real. Mesmo os mais fictícios retiram da experiência pessoal dos autores toda a sua essência.
Ainda assim, há pessoal que tem a lata de desvalorizar a importância destas mensagens, do género: "Ahahaha, é só um filme, não é suposto ficares a pensar nele, nem retirar algo que possas usar NO TEU DIA-A-DIA "REAL", DUUUUH!" ASPASCEPTION
Esta parte do post devo admitir escrevi apenas por me aperceber que grande parte senão a totalidade dos valores aos quais atribuo importância (positiva e negativa) foram-me dados pela televisão, literatura, cinema, e claro a Internet (que é verdadeiramente única neste aspecto comunicacional)... e quero reflectir até que ponto posso confiar unicamente em memórias emprestadas.
Se bem que é tarde demais. Já escolhi o meu caminho. Sempre quis estar do lado dos bons, mas se há coisa que tanto a cultura como a socidedade me ensinaram é que não existem pessoas boazinhas, apenas pessoas que fizeram/fazem algo de errado o suficiente para reconhecerem o que são e sentem remorso o suficiente para o compensar com coisas que os façam sentir bem dentro da moralidade esculpida à mão e feita à medida do seu ser.
A Questão do Além
Se se mentalizarem - não, a sério, não é assim tão fácil - que uma pessoa à vossa frente pensa (logo existe) tal como vocês, estão no primeiro e mais importante passo para estabelecer grandes laços de empatia com o universo, o que os faz vencer não só a solidão e a tristeza, como vos abre as portas a uma mentalidade que transcende o tempo e o espaço.
É o mesmo processo que nos acalma quando pensamos na morte, pois nada mais é que aumentar um bocado a distância empática (conceito giro) entre o vosso passado e os sobreviventes mais próximos - na linha temporal, ao invés de espacial. Sim, porque suponho que o ser humano tenha alguns mecanismos de defesa quanto a esta capacidade, porque senão desatávamo-nos a chorar cada vez que passasse uma tragédia nas notícias, ou nos lembrássemos de, oh, não sei, dos milhares que morrem todos os dias para que a gente possa exibir os nossos luxos :D - simplesmente não sinto pena, mentiria se dissesse que sofro com isto.
Pergunto-me se construímos estas paredes colectiva e conscientemente ou se simplesmente estamos a escavar nas areias do tempo, à espera de algo que preencha o buraco, como uma criança na praia à espera da próxima onda para encher a sua fantástica "piscina" moldada com a ajuda dos pais.
Alguma vez alguém vos acusou de se comportarem de maneira diferente conforme a quem se dirigem, ou em que situação se encontram? Do género: "Com o gajo X não falarias dessa maneira" -
é daquelas coisas que depois de ditas parecem óbvias, mas penso ainda haver uma enorme negatividade associada a esta vertente do ser humano.
Somos multi-facetados ya? Mal seria se nos comportássemos da mesma maneira em todas as situações. O curioso é que o pessoal que acaba por cair no erro de pensar "Um ser humano é a mesma pessoa todos os dias em qualquer lugar" - é frequentemente o mesmo pessoal que se escandaliza quando um amigo/familiar a quem quer apresentar um novo colega do Canadá (para efeitos de exemplo digamos que os Canadianos são chiques) não muda a sua maneira de estar para se adequar à visita.
A hipocrisia está sempre presente, mas uma pessoa habitua-se ao cheiro - agora quando ela arranha as cavidades nasais ao ponto de abrir feridas internas no canal olfactivo é caso para comprar um daqueles sprays que vendem no lidl... ai, como é que se chamavam?... aquela fragrância que remetia para o avanço socio-psico-outras coisas acabadas em ico-intelectual de um indivíduo e em consequência para um melhor futuro para a raça humana... ai... está na ponta da língua (ou nariz, neste caso)... AAAH! Auto-Análise - aquela feita na cabeça de cada um, não a que é feita com cruzinhas na internet ou na revista Maria.
Moralidade Auto-Suficiente
É difícil entender como alguns ciclos têm início ou fim, por isso vamos apenas imaginar que eles mudam a sua forma sem mudar o seu conteúdo.
Imaginem-se no cinema com 5 anos a ver um filme que vos marca para sempre com a lição: "A coragem não é a ausência do medo, mas a inexplicável chama interior que leva uma pessoa a cumprir uma tarefa apesar da sua presença". Hoje, com a maturidade de longos anos que se tornaram curtos, vocês lembram o que sentiram quando saíram da sala de cinema com uma lágrima nostálgica, mas na superfície dessa lágrima reconhecem um ponto de interrogação desenhado pela dúvida: "Aquela mensagem definiu-me enquanto ser humano. Quem fez o filme deve ter passado por algo que o fez querer passar a mensagem a outras pessoas - Será que esse algo foi ver um filme em criança?"
Fazemos histórias baseadas na vida real. Mesmo os mais fictícios retiram da experiência pessoal dos autores toda a sua essência.
Ainda assim, há pessoal que tem a lata de desvalorizar a importância destas mensagens, do género: "Ahahaha, é só um filme, não é suposto ficares a pensar nele, nem retirar algo que possas usar NO TEU DIA-A-DIA "REAL", DUUUUH!" ASPASCEPTION
Esta parte do post devo admitir escrevi apenas por me aperceber que grande parte senão a totalidade dos valores aos quais atribuo importância (positiva e negativa) foram-me dados pela televisão, literatura, cinema, e claro a Internet (que é verdadeiramente única neste aspecto comunicacional)... e quero reflectir até que ponto posso confiar unicamente em memórias emprestadas.
Se bem que é tarde demais. Já escolhi o meu caminho. Sempre quis estar do lado dos bons, mas se há coisa que tanto a cultura como a socidedade me ensinaram é que não existem pessoas boazinhas, apenas pessoas que fizeram/fazem algo de errado o suficiente para reconhecerem o que são e sentem remorso o suficiente para o compensar com coisas que os façam sentir bem dentro da moralidade esculpida à mão e feita à medida do seu ser.
A Questão do Além
Se se mentalizarem - não, a sério, não é assim tão fácil - que uma pessoa à vossa frente pensa (logo existe) tal como vocês, estão no primeiro e mais importante passo para estabelecer grandes laços de empatia com o universo, o que os faz vencer não só a solidão e a tristeza, como vos abre as portas a uma mentalidade que transcende o tempo e o espaço.
É o mesmo processo que nos acalma quando pensamos na morte, pois nada mais é que aumentar um bocado a distância empática (conceito giro) entre o vosso passado e os sobreviventes mais próximos - na linha temporal, ao invés de espacial. Sim, porque suponho que o ser humano tenha alguns mecanismos de defesa quanto a esta capacidade, porque senão desatávamo-nos a chorar cada vez que passasse uma tragédia nas notícias, ou nos lembrássemos de, oh, não sei, dos milhares que morrem todos os dias para que a gente possa exibir os nossos luxos :D - simplesmente não sinto pena, mentiria se dissesse que sofro com isto.
Pergunto-me se construímos estas paredes colectiva e conscientemente ou se simplesmente estamos a escavar nas areias do tempo, à espera de algo que preencha o buraco, como uma criança na praia à espera da próxima onda para encher a sua fantástica "piscina" moldada com a ajuda dos pais.
25/12/2011
Boredom
A única causa comum a tudo: a sua ausência.
Porque é que as coisas acontecem? Porque não estavam a acontecer, ou não tinham acontecido.
Contudo, lá porque uma coisa não exista, não quer dizer que vá existir apenas porque não existe. O que quero dizer é que se existir, isso deve-se ao facto de não existir até existir.
Isto é interessante porque deixamos de falar em ciclos causa/consequência pois a não causa não necessita de causa, ou seja, a origem de tudo pode ser explicada com algo que simplesmente, naturalmente, omnipotentemente, transcendentemente, é o ponto de partida para tudo.
Não existe nada para lá dele porque ele é isso mesmo.
As analogias que deste modo de ver as coisas surgem são interessantes. Pensem comigo: se a premissa de que apenas cenas podem dar lugar a cenas é abolida, então vivemos num universo muito mais interessante - porque tudo o que não existe já está a ultrapassar o passo mais importante para passar a existir!
Dias depois de pensar nisto, encontrei este vídeo por puro acaso - http://www.youtube.com/watch?v=7ImvlS8PLIo
Ai estas coincidências... :)
Porque é que as coisas acontecem? Porque não estavam a acontecer, ou não tinham acontecido.
Contudo, lá porque uma coisa não exista, não quer dizer que vá existir apenas porque não existe. O que quero dizer é que se existir, isso deve-se ao facto de não existir até existir.
Isto é interessante porque deixamos de falar em ciclos causa/consequência pois a não causa não necessita de causa, ou seja, a origem de tudo pode ser explicada com algo que simplesmente, naturalmente, omnipotentemente, transcendentemente, é o ponto de partida para tudo.
Não existe nada para lá dele porque ele é isso mesmo.
As analogias que deste modo de ver as coisas surgem são interessantes. Pensem comigo: se a premissa de que apenas cenas podem dar lugar a cenas é abolida, então vivemos num universo muito mais interessante - porque tudo o que não existe já está a ultrapassar o passo mais importante para passar a existir!
Dias depois de pensar nisto, encontrei este vídeo por puro acaso - http://www.youtube.com/watch?v=7ImvlS8PLIo
Ai estas coincidências... :)
24/08/2011
À primeira vista, este post pode parecer muito vago.
Já alguma vez encararam a escrita como uma grande falésia sobre a qual devem construir uma ponte utilizando apenas materiais recolhidos do seu fundo de maneira a que possam chegar ao outro lado vivos?
Pois, nem eu. Mas conheço pessoal assim, e começo a identificar-me com eles. É no mínimo extremamente frustrante querer - não - precisar de transmitir uma ideia para o papel, enquanto o nosso cérebro luta por satisfazer tanto a integridade do texto como a sede de avançar no processo intelectual em que nos embrenhamos. Era haver uma coisa que nos permitisse demonstrar o que vai na nossa cabeça sem toda essa formalidade. Seria possível, documentar pensamentos estruturados sem estruturar os documentos pensados?
Só para terem uma ideia, não comecei o post desta maneira, apenas me irritou a lembrança de que uma coisa tão parva como a falta de destreza no que toca à escrita possa ter consequências tão chatas como um ligeiro incómodo nocturno ao tentar trocar ideias com o outro lado do ecrã.
Como eu queria começar era assim:
"As aparências enganam/iludem" é uma expressão estúpida.
A sério. As aparências é tudo o que temos. Se elas iludem, não temos nada!
Somos uma raça muito à frente. Inventamos conceitos que não existem na realidade, como por exemplo, "A invenção de conceitos que não existem na realidade". Fujo à contradição da seguinte forma: Sendo a realidade em si uma realidade por nós assim definida, nada existe para lá dela, tudo o que surge de novo cai lá para dentro, porque não existe o fora - incluindo "fora".
Ás vezes penso que apenas estamos muito, muito aborrecidos. Tudo me parece uma grande, grande crise de identidade, não é? Essas tais guerras e guerrinhas, coincidem analogamente - demasiado perfeitamente - com as bulhas na pré. Só um exemplo.
Já repararam que na maioria dos livros (com a excepção dos diários e auto-biografias, etc) o pessoal escreve como se as palavras não viessem deles? É uma maneira engraçada de transmitir uma pseudo objectividade nos assuntos a tratar.
Se bem que a culpa disso está mais no leitor, que às tantas se esquece.
Acho que se abrirmos demasiado os olhos as palpebras dão a volta, trocam, e quando damos por nós temos os olhos novamente fechados.
Pois, nem eu. Mas conheço pessoal assim, e começo a identificar-me com eles. É no mínimo extremamente frustrante querer - não - precisar de transmitir uma ideia para o papel, enquanto o nosso cérebro luta por satisfazer tanto a integridade do texto como a sede de avançar no processo intelectual em que nos embrenhamos. Era haver uma coisa que nos permitisse demonstrar o que vai na nossa cabeça sem toda essa formalidade. Seria possível, documentar pensamentos estruturados sem estruturar os documentos pensados?
Só para terem uma ideia, não comecei o post desta maneira, apenas me irritou a lembrança de que uma coisa tão parva como a falta de destreza no que toca à escrita possa ter consequências tão chatas como um ligeiro incómodo nocturno ao tentar trocar ideias com o outro lado do ecrã.
Como eu queria começar era assim:
"As aparências enganam/iludem" é uma expressão estúpida.
A sério. As aparências é tudo o que temos. Se elas iludem, não temos nada!
Somos uma raça muito à frente. Inventamos conceitos que não existem na realidade, como por exemplo, "A invenção de conceitos que não existem na realidade". Fujo à contradição da seguinte forma: Sendo a realidade em si uma realidade por nós assim definida, nada existe para lá dela, tudo o que surge de novo cai lá para dentro, porque não existe o fora - incluindo "fora".
Ás vezes penso que apenas estamos muito, muito aborrecidos. Tudo me parece uma grande, grande crise de identidade, não é? Essas tais guerras e guerrinhas, coincidem analogamente - demasiado perfeitamente - com as bulhas na pré. Só um exemplo.
Já repararam que na maioria dos livros (com a excepção dos diários e auto-biografias, etc) o pessoal escreve como se as palavras não viessem deles? É uma maneira engraçada de transmitir uma pseudo objectividade nos assuntos a tratar.
Se bem que a culpa disso está mais no leitor, que às tantas se esquece.
Acho que se abrirmos demasiado os olhos as palpebras dão a volta, trocam, e quando damos por nós temos os olhos novamente fechados.
22/03/2011
Try to keep up!
Já alguma vez tiveram aquela sensação de que o tempo que atravessamos é muito mais curto do que aparenta?
Por outras palavras, já se sentiram "fora" do vosso presente, mentalizando conscientemente a existência do passado e do futuro, olhando para voçês próprios de fora e dizendo "hmm, isto realmente não é nada".
Assim resumido: já sentiram na pele a nossa efemeridade?
Ah e tal é relativo - claro que é, não digo o contrário, apenas me interrogo se se alguma vez viram as coisas desta maneira, em que as nossas vidas são uma espécie de "meio segundo de canal televisivo que apanhamos quando passamos por cada um, do número x ao número y".
Não quero dar tanta ênfase à perspectiva quanto ao sentimento em si, que parece explicar muito mais: ao consciencializar o nosso lugar no tempo, estamos ao mesmo tempo a interiorizar a nossa posição no espaço.
Até agora tenho adiado o uso da expressão "mente aberta" com receio de entrar em conversa inútil, mas acabei de me lembrar que isto é mesmo inútil, ainda para mais tentando chegar a leitores que tenham uma, por isso nem vale a pena evitá-lo. Como tal, aqui fica a expressão escrita no início do parágrafo, e não mais, para não entrar em conversa inútil.
Voltando ao sentimento de solidão no vazio do espaço - longe, demasiado longe, de qualquer corpo cósmico, longe ao ponto de não haver qualquer luz que nos permita ver sequer nós próprios - era disso que eu falava, certo? Não? Façam vocês a ponte, que já têm idade e eu não tenho a paciência ou a boa vontade.
Esse sentimento de ponto sem dimensões a que a partir de agora vou chamar § assombra quem não tem mais nada em que pensar e consequentemente uma fracção muito pequena da população mundial. E uma fracção ainda mais pequena dessa fracção já pequena em si não chega a compreender a razão pela qual § os assombra, de onde veio ou porque vai e vem sem qualquer aparente padrão. Apesar de esta pequena fracção de uma fracção ligeiramente maior ser realmente pequena, é em comparação com a fracção que a complementa "à la ying-yang" muito, muito maior. Falo claro está da fracção pessoas que sabem a razão pela qual § as assombra, de onde vem e porque vai e vem sem qualquer aparente padrão.
Ah, espera, que parvo que sou (gostaria de agradecer aos Deolinda pela "corrupção" efémera desta belíssima expressão (ainda que vá durar menos que a corrupção da palavra crepúsculo (não quero dizer que a música dos Deolinda seja má, até é engraçada (sim, eu sei que o título é "parva" e não "parvo", deixem-se de mariquices.)))), a querer enganar as pessoas. Eu ia acabar o texto sem lembrar que os números inteiros também são fracções e qualquer número que divida o zero resulta num zero, que é também um número inteiro.
"Com a falta de confiança nos outros nasce a suspeita de um mal interior." -
Por outras palavras, já se sentiram "fora" do vosso presente, mentalizando conscientemente a existência do passado e do futuro, olhando para voçês próprios de fora e dizendo "hmm, isto realmente não é nada".
Assim resumido: já sentiram na pele a nossa efemeridade?
Ah e tal é relativo - claro que é, não digo o contrário, apenas me interrogo se se alguma vez viram as coisas desta maneira, em que as nossas vidas são uma espécie de "meio segundo de canal televisivo que apanhamos quando passamos por cada um, do número x ao número y".
Não quero dar tanta ênfase à perspectiva quanto ao sentimento em si, que parece explicar muito mais: ao consciencializar o nosso lugar no tempo, estamos ao mesmo tempo a interiorizar a nossa posição no espaço.
Até agora tenho adiado o uso da expressão "mente aberta" com receio de entrar em conversa inútil, mas acabei de me lembrar que isto é mesmo inútil, ainda para mais tentando chegar a leitores que tenham uma, por isso nem vale a pena evitá-lo. Como tal, aqui fica a expressão escrita no início do parágrafo, e não mais, para não entrar em conversa inútil.
Voltando ao sentimento de solidão no vazio do espaço - longe, demasiado longe, de qualquer corpo cósmico, longe ao ponto de não haver qualquer luz que nos permita ver sequer nós próprios - era disso que eu falava, certo? Não? Façam vocês a ponte, que já têm idade e eu não tenho a paciência ou a boa vontade.
Esse sentimento de ponto sem dimensões a que a partir de agora vou chamar § assombra quem não tem mais nada em que pensar e consequentemente uma fracção muito pequena da população mundial. E uma fracção ainda mais pequena dessa fracção já pequena em si não chega a compreender a razão pela qual § os assombra, de onde veio ou porque vai e vem sem qualquer aparente padrão. Apesar de esta pequena fracção de uma fracção ligeiramente maior ser realmente pequena, é em comparação com a fracção que a complementa "à la ying-yang" muito, muito maior. Falo claro está da fracção pessoas que sabem a razão pela qual § as assombra, de onde vem e porque vai e vem sem qualquer aparente padrão.
Ah, espera, que parvo que sou (gostaria de agradecer aos Deolinda pela "corrupção" efémera desta belíssima expressão (ainda que vá durar menos que a corrupção da palavra crepúsculo (não quero dizer que a música dos Deolinda seja má, até é engraçada (sim, eu sei que o título é "parva" e não "parvo", deixem-se de mariquices.)))), a querer enganar as pessoas. Eu ia acabar o texto sem lembrar que os números inteiros também são fracções e qualquer número que divida o zero resulta num zero, que é também um número inteiro.
"Com a falta de confiança nos outros nasce a suspeita de um mal interior." -
09/12/2010
Aquelas noites...
E aquelas noites em que estão a tentar dormir e o tecto vos olha fixamente, com uma brancura pálida (não como as dos anúncios de Tide™), de como quem diz "Então, não consegues dormir é? tch, 'ssé mau.", até que baixam o livro que estão a ler, reviram os olhos impacientemente e respondem, em voz alta:
- Não. Por isso é que estou lendo, pra ver se me vem o sono...
- E que livro é?
- Sei lá, interessa?
- Talvez, se for um livro interessante é provável que fiques ainda mais desperto.
- És muito esperto, tu.
E por esta altura já se apercebem que estão a sonhar (provavelmente devido ao facto de que REGRA GERAL os tectos não falam), e suspiram de alívio porque o vosso tão importante corpo corporal está então a descansar, e é de extrema importância que assim seja, visto que têm uma importante reunião no dia seguinte (que também é em si importante).
E depois só pelo gozo (que soa a Paulo Gonzo se estiverem constipados), decidem continuar a falar com o tecto, porque quem sabe se amanhã não sonham que estão no Haiti (chegam lá?).
- Este livro chama-se "Como adormecer - para pessoas com pressa".
- É interessante?
- Não tanto como parece.
- Isso é um bocado subjectivo.
- Pois, mas se me perguntas se é interessante, já vais ter uma resposta subjectiva, que mal faz adicionar outra camada de subjectividade?
- Porque é uma camada que vem estragar tudo.
Imagina: uma pessoa lê o título desse livro e tem uma opinião acerca do assunto - isto define se ela acha o tema interessante ou não, como ponto de partida. Pode variar entre o nada e o imenso, e tendo essa opinião como uma meta a superar após a leitura do livro, tanto pode ficar bastante próximo dela como pode ficar a milhas. Suponhamos que para uma pessoa esse tema interessa pouco ou nada. Após lê-lo, pode até achar que foi bastante interessante, tendo em conta o que parecia. Opostamente, outra pessoa que adore esse tipo de assunto pode ficar aborrecida, visto que espera grandes coisas do livro. No entanto, esta segunda pessoa pode ainda assim achar o livro mais interessante que a primeira, apesar de relativamente ao que "parecia" o livro exceder e ficar aquém - respectivamente - das suas expectativas.
Por outras palavras, acabaste por não responder à minha pergunta. Achas o livro interessante?
E depois começam a sentir-se incomodados com a insistência do tecto. Que raio é que isso lhe interessa de qualquer maneira?
- Não. Não acho este livro interessante.
- Então porque raio é que estás a lê-lo?
E depois acordam e são 3 da manhã?
Essas noites são do pior né? Ainda bem que são raras.
- Não. Por isso é que estou lendo, pra ver se me vem o sono...
- E que livro é?
- Sei lá, interessa?
- Talvez, se for um livro interessante é provável que fiques ainda mais desperto.
- És muito esperto, tu.
E por esta altura já se apercebem que estão a sonhar (provavelmente devido ao facto de que REGRA GERAL os tectos não falam), e suspiram de alívio porque o vosso tão importante corpo corporal está então a descansar, e é de extrema importância que assim seja, visto que têm uma importante reunião no dia seguinte (que também é em si importante).
E depois só pelo gozo (que soa a Paulo Gonzo se estiverem constipados), decidem continuar a falar com o tecto, porque quem sabe se amanhã não sonham que estão no Haiti (chegam lá?).
- Este livro chama-se "Como adormecer - para pessoas com pressa".
- É interessante?
- Não tanto como parece.
- Isso é um bocado subjectivo.
- Pois, mas se me perguntas se é interessante, já vais ter uma resposta subjectiva, que mal faz adicionar outra camada de subjectividade?
- Porque é uma camada que vem estragar tudo.
Imagina: uma pessoa lê o título desse livro e tem uma opinião acerca do assunto - isto define se ela acha o tema interessante ou não, como ponto de partida. Pode variar entre o nada e o imenso, e tendo essa opinião como uma meta a superar após a leitura do livro, tanto pode ficar bastante próximo dela como pode ficar a milhas. Suponhamos que para uma pessoa esse tema interessa pouco ou nada. Após lê-lo, pode até achar que foi bastante interessante, tendo em conta o que parecia. Opostamente, outra pessoa que adore esse tipo de assunto pode ficar aborrecida, visto que espera grandes coisas do livro. No entanto, esta segunda pessoa pode ainda assim achar o livro mais interessante que a primeira, apesar de relativamente ao que "parecia" o livro exceder e ficar aquém - respectivamente - das suas expectativas.
Por outras palavras, acabaste por não responder à minha pergunta. Achas o livro interessante?
E depois começam a sentir-se incomodados com a insistência do tecto. Que raio é que isso lhe interessa de qualquer maneira?
- Não. Não acho este livro interessante.
- Então porque raio é que estás a lê-lo?
E depois acordam e são 3 da manhã?
Essas noites são do pior né? Ainda bem que são raras.
13/10/2010
Este texto não existia antes de tu o leres.
*Já alguma vez se perguntaram: Para quê?
Claro que já. Afinal, faz parte de ser humano, procurar uma justificação para tudo.
E já alguma vez chegaram à conclusão- que não chegaram a conclusão nenhuma, quando o autocarro chega/a vossa mãe vos chama para jantar/se vestem após sair da banheira/etc.?
Óbvio que sim. Afinal, apenas temos duas hipóteses: Ou há uma justificação para tudo (mesmo para essas justificações - ciclos abertos ou fechados, sempre infinitos) - ou chegamos a um ponto em que uma pessoa diz: de facto, não se justifica.
Amigos estou mais inclinado para a segunda hipótese. + Porquê? Bem, porque nada concreto é infinito, a não ser o conceito § (ignorem o significado do símbolo).
Deste conceito não devem ter ouvido falar, porque acabei de o inventar. É o conceito que quebra todas as regras e ao mesmo tempo as cumpre sem a pinta de contradição.
O conceito § é uma espécie de infinito, mas que não depende de artimanhas para poder ser. Estou agora a pensar na expansão do universo: claro que é infinito, está sempre a expandir-se. Mas um dia vai ter de acabar. Trata-se de simples lógica: Tudo o que sobe, desce, tudo o que nasce, morre. Não faz sentido ver 99 coisas assim e uma única (em qual todas essas 99 estão incluídas) assado.
O conceito §, contudo, é mesmo esse assado. Ele escapa a todas as tentativas de refutação com uma simples característica: Ele inclui todas elas e aceita-as como parte de si. Imaginem um grande balão, com o universo lá dentro. Agora peguem numa agulha (arranjem-na onde quiserem, fora do universo) e rebentem-no. Aí têm §.
Outra maneira de perceberem: Imaginem uma piscina cheia de água. § é a mais pequena partícula dentro dessa água e é a pessoa que está a andar na borda da piscina, mas atenção:
Apenas um dos dois - e os dois ao mesmo tempo, ao mesmo tempo (não, não é um erro, leiam outra vez).
Confusos? É natural.
Este conceito não existe, porque acabei de o inventar.
Se chegarem à conclusão de que este texto é inútil, estão óbvia e simultaneamente certos e errados.
+ -> ponto em que o texto poderia ter acabado.
* -> ponto em que o texto deveria ter acabado.
Claro que já. Afinal, faz parte de ser humano, procurar uma justificação para tudo.
E já alguma vez chegaram à conclusão- que não chegaram a conclusão nenhuma, quando o autocarro chega/a vossa mãe vos chama para jantar/se vestem após sair da banheira/etc.?
Óbvio que sim. Afinal, apenas temos duas hipóteses: Ou há uma justificação para tudo (mesmo para essas justificações - ciclos abertos ou fechados, sempre infinitos) - ou chegamos a um ponto em que uma pessoa diz: de facto, não se justifica.
Amigos estou mais inclinado para a segunda hipótese. + Porquê? Bem, porque nada concreto é infinito, a não ser o conceito § (ignorem o significado do símbolo).
Deste conceito não devem ter ouvido falar, porque acabei de o inventar. É o conceito que quebra todas as regras e ao mesmo tempo as cumpre sem a pinta de contradição.
O conceito § é uma espécie de infinito, mas que não depende de artimanhas para poder ser. Estou agora a pensar na expansão do universo: claro que é infinito, está sempre a expandir-se. Mas um dia vai ter de acabar. Trata-se de simples lógica: Tudo o que sobe, desce, tudo o que nasce, morre. Não faz sentido ver 99 coisas assim e uma única (em qual todas essas 99 estão incluídas) assado.
O conceito §, contudo, é mesmo esse assado. Ele escapa a todas as tentativas de refutação com uma simples característica: Ele inclui todas elas e aceita-as como parte de si. Imaginem um grande balão, com o universo lá dentro. Agora peguem numa agulha (arranjem-na onde quiserem, fora do universo) e rebentem-no. Aí têm §.
Outra maneira de perceberem: Imaginem uma piscina cheia de água. § é a mais pequena partícula dentro dessa água e é a pessoa que está a andar na borda da piscina, mas atenção:
Apenas um dos dois - e os dois ao mesmo tempo, ao mesmo tempo (não, não é um erro, leiam outra vez).
Confusos? É natural.
Este conceito não existe, porque acabei de o inventar.
Se chegarem à conclusão de que este texto é inútil, estão óbvia e simultaneamente certos e errados.
+ -> ponto em que o texto poderia ter acabado.
* -> ponto em que o texto deveria ter acabado.
01/09/2010
Aliás, nem se deviam começar títulos como se fossem o meio de um texto.
Para todos os efeitos, não tiveram todas as filosofias políticas a anarquia como base?
Quer dizer, partindo do princípio que não há qualquer tipo de ordem, e que o homem fica entregue a si mesmo - sendo apenas guiado por moral e intelecto - iremos eventualmente formar um governo de qualquer maneira, porque foi assim que aconteceu da última vez que vivemos em anarquia (todos os seres humanos)!
Mas não quero abordar assuntos desses, porque francamente não me interessa. Porque é que escrevi isso, então? Bem, há diversos motivos, muitos dos quais ocultos por detrás da cortina do inconsciente (meu deus como estou ferrugento).
Um dos motivos que poderá ter ultrapassado essa cascata de veludo escarlate que é o inconsciente (que triste), é o meu desejo em discutir algo relacionado com a liberdade pura. Por sua vez, esse desejo foi motivado pela vida opressiva que levo.
Sim, leram bem, eu sou vítima de opressão, tal como qualquer um de vós. Sim, até o chefe da chefia dos chefiantes da global chefiating company é oprimido.
Porquê? Pelas razões do costume. Todos levamos vidas semelhantes, estamos destinados a fazer X desde que nascemos, X sendo morrer trabalhar brincar estudar casar (não necessariamente por esta ordem... e agora que o leio outra vez penso que até é bastante óbvio. Se calhar vou apagar estes parênteses, logo se vê, agora não posso parar tou todo lançado), e com alguma sorte ver umas auroras baleais no polo norte (eu sei que é boreais, apenas inventei um novo conceito. Uma aurora baleal é uma auróra boreal com a forma de uma baleia - a mim que me interessa que isso seja físicamente impossível? A partir do momento em que uma ideia nasce, é impossível anulá-la: mesmo agora, ao ler isto ligeiramente irritado/a pela inconsistência do texto, está na tua mente a imagem de uma aurora boreal lindíssima com a forma de uma baleia, sobre o céu negro de uma paisagem coberta de neve).
Porque é que ver uma aurora baleal é, na minha opinião, uma das coisas boas que pode, por sorte, acontecer na vida de uma pessoa? Confesso que não sei de onde veio essa, por isso vou continuar.
Se a rotina da nossa existência não é opressão, não sei o que poderá ser (opressão). Mas quem oprime quem?
Bem, toda a gente oprime toda a gente, e o próprio universo nos oprime, bem como a si próprio (PLEONASMO!, NÓS FAZEMOS PARTE DO UNIVERSO, HAHA), e desta maneira vivemos numa opressão omnipresente, o que faz com que os níveis de opressão naturais sejam estes, ou seja, não somos oprimidos de todo e somos todos livres. Dentro da opressão.
Eu na verdade só começei a escrever isto porque encontrei a palavra opressão na internet e apeteceu-me usá-la. Opressão.
Ó pressão.
Que palavra agressiva.
Ó - o som seco e robusto de uma palavra que parece querer "mandar vir"
Pressão - uma palavra em si, que prescinde da independência para formar uma outra palavra, muito mais feia e negativa.
Opressão.
Que tristeza.
Quer dizer, partindo do princípio que não há qualquer tipo de ordem, e que o homem fica entregue a si mesmo - sendo apenas guiado por moral e intelecto - iremos eventualmente formar um governo de qualquer maneira, porque foi assim que aconteceu da última vez que vivemos em anarquia (todos os seres humanos)!
Mas não quero abordar assuntos desses, porque francamente não me interessa. Porque é que escrevi isso, então? Bem, há diversos motivos, muitos dos quais ocultos por detrás da cortina do inconsciente (meu deus como estou ferrugento).
Um dos motivos que poderá ter ultrapassado essa cascata de veludo escarlate que é o inconsciente (que triste), é o meu desejo em discutir algo relacionado com a liberdade pura. Por sua vez, esse desejo foi motivado pela vida opressiva que levo.
Sim, leram bem, eu sou vítima de opressão, tal como qualquer um de vós. Sim, até o chefe da chefia dos chefiantes da global chefiating company é oprimido.
Porquê? Pelas razões do costume. Todos levamos vidas semelhantes, estamos destinados a fazer X desde que nascemos, X sendo morrer trabalhar brincar estudar casar (não necessariamente por esta ordem... e agora que o leio outra vez penso que até é bastante óbvio. Se calhar vou apagar estes parênteses, logo se vê, agora não posso parar tou todo lançado), e com alguma sorte ver umas auroras baleais no polo norte (eu sei que é boreais, apenas inventei um novo conceito. Uma aurora baleal é uma auróra boreal com a forma de uma baleia - a mim que me interessa que isso seja físicamente impossível? A partir do momento em que uma ideia nasce, é impossível anulá-la: mesmo agora, ao ler isto ligeiramente irritado/a pela inconsistência do texto, está na tua mente a imagem de uma aurora boreal lindíssima com a forma de uma baleia, sobre o céu negro de uma paisagem coberta de neve).
Porque é que ver uma aurora baleal é, na minha opinião, uma das coisas boas que pode, por sorte, acontecer na vida de uma pessoa? Confesso que não sei de onde veio essa, por isso vou continuar.
Se a rotina da nossa existência não é opressão, não sei o que poderá ser (opressão). Mas quem oprime quem?
Bem, toda a gente oprime toda a gente, e o próprio universo nos oprime, bem como a si próprio (PLEONASMO!, NÓS FAZEMOS PARTE DO UNIVERSO, HAHA), e desta maneira vivemos numa opressão omnipresente, o que faz com que os níveis de opressão naturais sejam estes, ou seja, não somos oprimidos de todo e somos todos livres. Dentro da opressão.
Eu na verdade só começei a escrever isto porque encontrei a palavra opressão na internet e apeteceu-me usá-la. Opressão.
Ó pressão.
Que palavra agressiva.
Ó - o som seco e robusto de uma palavra que parece querer "mandar vir"
Pressão - uma palavra em si, que prescinde da independência para formar uma outra palavra, muito mais feia e negativa.
Opressão.
Que tristeza.
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