Maskception
Alguma vez alguém vos acusou de se comportarem de maneira diferente conforme a quem se dirigem, ou em que situação se encontram? Do género: "Com o gajo X não falarias dessa maneira" -
é daquelas coisas que depois de ditas parecem óbvias, mas penso ainda haver uma enorme negatividade associada a esta vertente do ser humano.
Somos multi-facetados ya? Mal seria se nos comportássemos da mesma maneira em todas as situações. O curioso é que o pessoal que acaba por cair no erro de pensar "Um ser humano é a mesma pessoa todos os dias em qualquer lugar" - é frequentemente o mesmo pessoal que se escandaliza quando um amigo/familiar a quem quer apresentar um novo colega do Canadá (para efeitos de exemplo digamos que os Canadianos são chiques) não muda a sua maneira de estar para se adequar à visita.
A hipocrisia está sempre presente, mas uma pessoa habitua-se ao cheiro - agora quando ela arranha as cavidades nasais ao ponto de abrir feridas internas no canal olfactivo é caso para comprar um daqueles sprays que vendem no lidl... ai, como é que se chamavam?... aquela fragrância que remetia para o avanço socio-psico-outras coisas acabadas em ico-intelectual de um indivíduo e em consequência para um melhor futuro para a raça humana... ai... está na ponta da língua (ou nariz, neste caso)... AAAH! Auto-Análise - aquela feita na cabeça de cada um, não a que é feita com cruzinhas na internet ou na revista Maria.
Moralidade Auto-Suficiente
É difícil entender como alguns ciclos têm início ou fim, por isso vamos apenas imaginar que eles mudam a sua forma sem mudar o seu conteúdo.
Imaginem-se no cinema com 5 anos a ver um filme que vos marca para sempre com a lição: "A coragem não é a ausência do medo, mas a inexplicável chama interior que leva uma pessoa a cumprir uma tarefa apesar da sua presença". Hoje, com a maturidade de longos anos que se tornaram curtos, vocês lembram o que sentiram quando saíram da sala de cinema com uma lágrima nostálgica, mas na superfície dessa lágrima reconhecem um ponto de interrogação desenhado pela dúvida: "Aquela mensagem definiu-me enquanto ser humano. Quem fez o filme deve ter passado por algo que o fez querer passar a mensagem a outras pessoas - Será que esse algo foi ver um filme em criança?"
Fazemos histórias baseadas na vida real. Mesmo os mais fictícios retiram da experiência pessoal dos autores toda a sua essência.
Ainda assim, há pessoal que tem a lata de desvalorizar a importância destas mensagens, do género: "Ahahaha, é só um filme, não é suposto ficares a pensar nele, nem retirar algo que possas usar NO TEU DIA-A-DIA "REAL", DUUUUH!" ASPASCEPTION
Esta parte do post devo admitir escrevi apenas por me aperceber que grande parte senão a totalidade dos valores aos quais atribuo importância (positiva e negativa) foram-me dados pela televisão, literatura, cinema, e claro a Internet (que é verdadeiramente única neste aspecto comunicacional)... e quero reflectir até que ponto posso confiar unicamente em memórias emprestadas.
Se bem que é tarde demais. Já escolhi o meu caminho. Sempre quis estar do lado dos bons, mas se há coisa que tanto a cultura como a socidedade me ensinaram é que não existem pessoas boazinhas, apenas pessoas que fizeram/fazem algo de errado o suficiente para reconhecerem o que são e sentem remorso o suficiente para o compensar com coisas que os façam sentir bem dentro da moralidade esculpida à mão e feita à medida do seu ser.
A Questão do Além
Se se mentalizarem - não, a sério, não é assim tão fácil - que uma pessoa à vossa frente pensa (logo existe) tal como vocês, estão no primeiro e mais importante passo para estabelecer grandes laços de empatia com o universo, o que os faz vencer não só a solidão e a tristeza, como vos abre as portas a uma mentalidade que transcende o tempo e o espaço.
É o mesmo processo que nos acalma quando pensamos na morte, pois nada mais é que aumentar um bocado a distância empática (conceito giro) entre o vosso passado e os sobreviventes mais próximos - na linha temporal, ao invés de espacial. Sim, porque suponho que o ser humano tenha alguns mecanismos de defesa quanto a esta capacidade, porque senão desatávamo-nos a chorar cada vez que passasse uma tragédia nas notícias, ou nos lembrássemos de, oh, não sei, dos milhares que morrem todos os dias para que a gente possa exibir os nossos luxos :D - simplesmente não sinto pena, mentiria se dissesse que sofro com isto.
Pergunto-me se construímos estas paredes colectiva e conscientemente ou se simplesmente estamos a escavar nas areias do tempo, à espera de algo que preencha o buraco, como uma criança na praia à espera da próxima onda para encher a sua fantástica "piscina" moldada com a ajuda dos pais.