É tão triste, crescer. Tão triste.
Mais triste ainda é não dar por isso.
Mais triste ainda é não conseguir marcar no calendário, no relógio, o momento em que se mudou.
Isto porque o crescimento é algo permanente e demorado, não existem "fases" na nossa vida, existem períodos de tempo em que o crescimento não foi alvo de reflexão.
Eu queria ainda falar mais disto mas prefiro passar para o fim -> a morte.
Digo fim, porque acredito mesmo ser o fim (ainda que dê início a muitas coisas (aliás, assim de repente não consigo pensar num fim sem consequências (por outras palavras, um fim que não seja um início (é melhor começar a fechar os parênteses)))). Não faria sentido de outra maneira, e tudo o que vi até hoje na natureza faz mais ou menos sentido.
É triste, morrer. Tão triste.
Mais triste ainda é querer viver, e morrer.
Mais triste ainda é não querer viver, e morrer.
O mais triste, contudo, é a ausência de vontade, de viver ou morrer. Se bem que isso seja um pouco mais raro.
A morte está intimamente relacionada com o nascimento (é o inverso), visto que antes de nascermos não existiu nada, e esse mesmo vazio nos deve esperar quando morrermos.
Há pessoas que acreditam na vida para além da morte, e a essas, só lhes digo: óbvio.
É claro que há vida além da morte, vocês não são nenhum profeta ou adivinho, é tão estúpidamente fácil de entender que isso é a única hipótese que faz sentido que não tem necessidade de ser proferida como uma revelação espiritual.
A morte é um vazio. E esse vazio é, por sua vez uma tela. A vida é a tinta que a pinta. Agora, o que é a pintura: a tinta, ou a tela? Por outras palavras, ambas estão dependentes uma da outra, mas apenas a tinta se revela mesmo como a pintura.
Isto relacionado com a vida o que significa? Significa que não faz sentido falarmos da morte, porque esse conceito em si apenas existe enquanto estamos vivos.
Ora, a vida não poderia existir sem a morte (a tal coisa da dependência mútua), pois bem amigos, chegamos a uma conclusão deveras original:
Como só vivemos quando não estamos mortos (quem leu só esta frase deve ficar com uma boa impressão minha), e a vida e a morte são faces da mesma moeda, é mais que fácil concluir que de facto, depois da morte só existe vida - porque nada é infinito.
Nada.