http://www.youtube.com/watch?v=GKkeDqJBlK8
Deixa-te levar, não penses. Pensa: deixa-te levar. Deixa-te levar pelo pensamento.
O teu mundo é um rio. A tua mente, um peixe. A tua essência, um rio.
Anda através de tudo. Pára quando chegares ao fim. Quando chegares ao fim, diz-lhe olá e sorri.
Derrama as palavras, com a certeza do amanhã incerto. Quem as ler saberá melhor que tu.
Ontem não sabias. Hoje não sabes. O futuro é o teu reino - a anarquia interna do luar.
Mentiras salvam vidas. Verdades mortais, o pão nosso de cada dia.
Branco sobre o verde, verde sobre o azul. O mar não é doce, e não esvazia o Sol.
Memórias curtas de longo prazo. A fragrância embrulha o ser.
O luto choroso de milhares. Inveja primal.
Espelhos são úteis, usa-os, mas não lhe olhes nos olhos. Nada irás ver.
Deixa o sonho perturbar. Molda a tua vida com a água em redor.
Esquece a dor. Ela lembrar-te-á.
Seca a lágrima com a tua mão direita.
Dorme...
O pensamento é a base do ser humano, lá dizia Descartes: "Cogito, ergo sum". Penso, logo existo
13/10/2013
07/09/2013
Inevitabilidada
Pergunto-me para onde irão as lágrimas que engolimos antes de mastigar.
Como é difícil enxotar a emoção inútil para o homem moderno. Se me perguntarem, é a próxima coisa a entrar no comboio sem regresso.
Mudei de ideias, e impossível isso acontecer.
Bem, até pode, apenas significa a perda do ser humano como o consideramos hoje em dia. Não é isso a evolução?
A emoção nasce das necessidades primais da sobrevivência. Chegando ao ponto em que sobrevivemos num mundo espelhado, tomamos consciência das variáveis que nos programam, valorizamos ainda mais, ainda que artificialmente, a sobrevivência, pois a sua fragilidade está então evidente. A emoção, um último recurso da natureza, o grito egoísta de um sistema que mostra as suas rugas quando o intelectual se auto-destrói, individualmente e em massa.
Chega. Venha a frieza da neutralidade. Venha o fim das preocupações. Não haverá mais sofrimento que alegria, neste mundo? Vamos aumentar o nível de satisfação deste serviço que é a vida, subir para 0.
Um zero é mais zero do que cinco menos cinco. Não necessita de uma força oposta, ele já lá está, no seu vazio empático, neutro... justo.
Não tenham pena do amor, da saudade, do que pensam definir a vida. Garanto que de nada disso sentirão a falta quando a emoção deixar de existir.
A única coisa que nos impede de nos livrarmos dela é ela mesma. É um pouco triste, não é? Manipuladora, até. Maldita, odeio-te, emoção.
Como é difícil enxotar a emoção inútil para o homem moderno. Se me perguntarem, é a próxima coisa a entrar no comboio sem regresso.
Mudei de ideias, e impossível isso acontecer.
Bem, até pode, apenas significa a perda do ser humano como o consideramos hoje em dia. Não é isso a evolução?
A emoção nasce das necessidades primais da sobrevivência. Chegando ao ponto em que sobrevivemos num mundo espelhado, tomamos consciência das variáveis que nos programam, valorizamos ainda mais, ainda que artificialmente, a sobrevivência, pois a sua fragilidade está então evidente. A emoção, um último recurso da natureza, o grito egoísta de um sistema que mostra as suas rugas quando o intelectual se auto-destrói, individualmente e em massa.
Chega. Venha a frieza da neutralidade. Venha o fim das preocupações. Não haverá mais sofrimento que alegria, neste mundo? Vamos aumentar o nível de satisfação deste serviço que é a vida, subir para 0.
Um zero é mais zero do que cinco menos cinco. Não necessita de uma força oposta, ele já lá está, no seu vazio empático, neutro... justo.
Não tenham pena do amor, da saudade, do que pensam definir a vida. Garanto que de nada disso sentirão a falta quando a emoção deixar de existir.
A única coisa que nos impede de nos livrarmos dela é ela mesma. É um pouco triste, não é? Manipuladora, até. Maldita, odeio-te, emoção.
07/07/2013
Phasing
Estamos em realidades muito distintas. Existe uma não só para cada indivíduo, como para cada sentido de uma criatura. Uma pessoa surda tem menos uma dimensão sensorial na sua soma de realidades, mas a natureza dos sentidos faz com que essa soma não seja uma soma, e sim uma fórmula mais complexa, à medida que se adicionam e retiram perspectivas.
E essas perspectivas mudam, tal como as estações do ano, ao longo do espaço-tempo.
Tendo isto em conta (encontramo-nos aqui numa nova realidade temporária, enquanto se lê esta frase), é espantoso como esta complexidade actua no backstage do universo, e podemos simplesmente olhar nos olhos de outra pessoa e a entender quando ela nos fala das experiências - isto para não falar de todo o milagre que é a linguagem, um colosso em si no que toca a coisas extraordinárias.
É a tal noção de que vivemos num rio de improbabilidades. A relatividade diz-nos que tudo o que existe é incerto, visto que a única certeza é a sua ausência.
Tocando flauta, plenamente audível nas traseiras de cada mente, um pequeno ser pisca o olho à nossa curiosidade.
- Ei, o que estás aí a fazer? -.-
- Eu?
- Não vejo aqui mais ninguém... sim, tu.
- Ora, eu apenas sou filler.
- Filler?
- Sim, conteúdo cinzento, um pouco como o cimento, uma sinapse entre o nada e o nada depois desse nada, não confundir com o nada anterior a esse nada, esse é outro nada, não um dos nada que referi.
A flauta continua.
- De qualquer maneira, eu não perguntei o que eras, mas sim o que estás a fazer... -.-
- Sim, e ainda utilizaste a palavra "aí", ou seja, se der um passinho para o lado...
- Dá um passinho para o lado -
- A tua questão pertence ao passado, e eu não lido com o passado.
- Soa-me bastante saudável.
- O quê?
- Não lidar com o passado.
- Tem as suas desvantagens, mas não me digas que nunca experimentaste :o
-.-
- -.-
.--. .... .- ... .. -. --.
E essas perspectivas mudam, tal como as estações do ano, ao longo do espaço-tempo.
Tendo isto em conta (encontramo-nos aqui numa nova realidade temporária, enquanto se lê esta frase), é espantoso como esta complexidade actua no backstage do universo, e podemos simplesmente olhar nos olhos de outra pessoa e a entender quando ela nos fala das experiências - isto para não falar de todo o milagre que é a linguagem, um colosso em si no que toca a coisas extraordinárias.
É a tal noção de que vivemos num rio de improbabilidades. A relatividade diz-nos que tudo o que existe é incerto, visto que a única certeza é a sua ausência.
Tocando flauta, plenamente audível nas traseiras de cada mente, um pequeno ser pisca o olho à nossa curiosidade.
- Ei, o que estás aí a fazer? -.-
- Eu?
- Não vejo aqui mais ninguém... sim, tu.
- Ora, eu apenas sou filler.
- Filler?
- Sim, conteúdo cinzento, um pouco como o cimento, uma sinapse entre o nada e o nada depois desse nada, não confundir com o nada anterior a esse nada, esse é outro nada, não um dos nada que referi.
A flauta continua.
- De qualquer maneira, eu não perguntei o que eras, mas sim o que estás a fazer... -.-
- Sim, e ainda utilizaste a palavra "aí", ou seja, se der um passinho para o lado...
- Dá um passinho para o lado -
- A tua questão pertence ao passado, e eu não lido com o passado.
- Soa-me bastante saudável.
- O quê?
- Não lidar com o passado.
- Tem as suas desvantagens, mas não me digas que nunca experimentaste :o
-.-
- -.-
.--. .... .- ... .. -. --.
21/03/2013
Pavio
Todos os dias vejo velas que se deixam decapitar pelo vento.
Na minha perspectiva é triste, porque até não parece ser um vento forte.
Na minha opinião é óbvio que não querem continuar acesas.
Tenho pena da cera, e dou por mim a pensar por ela.
"Será que ainda sou vela? Pode ser que sim.
Mas não me iludo, a imagem de vela tem chama.
Sem chama, sou uma vela apagada, não uma vela.
O mesmo fogo que lentamente a eliminava,
Era o fogo que a chorava, gota a gota,
Ao longo da sua cera.
Exteriorizando assim a sua alma.
Que será da cera, agora,
Sem chama, não é vela,
Sem fogo, não tem alma,
Sem vento, não tem desculpa.
Pobre de mim? Nem sei o que sou. "
É para mim bastante trágico, este conceito de vela apagada. Na minha cabeça vejo um cenário gráfico, explicitamente errado, como as entranhas de um animal na estrada. A desmistificação do homem num objecto comum, as gotas de cera duras numa vela outrora jovem, cheia de rugas.
A morte é tão natural que é natural que o homem a desnaturalize. Queremos vencê-la por meio de tributo. Em cada peça de arte, cada ficção, lá está ela, o fim inevitável. Porquê tanto medo?
Ninguém ainda humano aceita a sua morte nos outros. Isto é um bom sinal, dizem. Sinal de que continuamos empáticos, ainda que a um nível primal.
Nem sei já se existe ironia, nisto de ter que estar vivo para assistir aos outros morrerem. Sei que se algum dia tiver de acender uma vela, vou ter o cuidado especial de não passar em frente a um espelho.
Na minha perspectiva é triste, porque até não parece ser um vento forte.
Na minha opinião é óbvio que não querem continuar acesas.
Tenho pena da cera, e dou por mim a pensar por ela.
"Será que ainda sou vela? Pode ser que sim.
Mas não me iludo, a imagem de vela tem chama.
Sem chama, sou uma vela apagada, não uma vela.
O mesmo fogo que lentamente a eliminava,
Era o fogo que a chorava, gota a gota,
Ao longo da sua cera.
Exteriorizando assim a sua alma.
Que será da cera, agora,
Sem chama, não é vela,
Sem fogo, não tem alma,
Sem vento, não tem desculpa.
Pobre de mim? Nem sei o que sou. "
É para mim bastante trágico, este conceito de vela apagada. Na minha cabeça vejo um cenário gráfico, explicitamente errado, como as entranhas de um animal na estrada. A desmistificação do homem num objecto comum, as gotas de cera duras numa vela outrora jovem, cheia de rugas.
A morte é tão natural que é natural que o homem a desnaturalize. Queremos vencê-la por meio de tributo. Em cada peça de arte, cada ficção, lá está ela, o fim inevitável. Porquê tanto medo?
Ninguém ainda humano aceita a sua morte nos outros. Isto é um bom sinal, dizem. Sinal de que continuamos empáticos, ainda que a um nível primal.
Nem sei já se existe ironia, nisto de ter que estar vivo para assistir aos outros morrerem. Sei que se algum dia tiver de acender uma vela, vou ter o cuidado especial de não passar em frente a um espelho.
Subscrever:
Mensagens (Atom)