09/12/2010

Aquelas noites...

E aquelas noites em que estão a tentar dormir e o tecto vos olha fixamente, com uma brancura pálida (não como as dos anúncios de Tide™), de como quem diz "Então, não consegues dormir é? tch, 'ssé mau.", até que baixam o livro que estão a ler, reviram os olhos impacientemente e respondem, em voz alta:

- Não. Por isso é que estou lendo, pra ver se me vem o sono...
- E que livro é?
- Sei lá, interessa?
- Talvez, se for um livro interessante é provável que fiques ainda mais desperto.
- És muito esperto, tu.

E por esta altura já se apercebem que estão a sonhar (provavelmente devido ao facto de que REGRA GERAL os tectos não falam), e suspiram de alívio porque o vosso tão importante corpo corporal está então a descansar, e é de extrema importância que assim seja, visto que têm uma importante reunião no dia seguinte (que também é em si importante).

E depois só pelo gozo (que soa a Paulo Gonzo se estiverem constipados), decidem continuar a falar com o tecto, porque quem sabe se amanhã não sonham que estão no Haiti (chegam lá?).

- Este livro chama-se "Como adormecer - para pessoas com pressa".
- É interessante?
- Não tanto como parece.
- Isso é um bocado subjectivo.
- Pois, mas se me perguntas se é interessante, já vais ter uma resposta subjectiva, que mal faz adicionar outra camada de subjectividade?
- Porque é uma camada que vem estragar tudo.

Imagina: uma pessoa lê o título desse livro e tem uma opinião acerca do assunto - isto define se ela acha o tema interessante ou não, como ponto de partida. Pode variar entre o nada e o imenso, e tendo essa opinião como uma meta a superar após a leitura do livro, tanto pode ficar bastante próximo dela como pode ficar a milhas. Suponhamos que para uma pessoa esse tema interessa pouco ou nada. Após lê-lo, pode até achar que foi bastante interessante, tendo em conta o que parecia. Opostamente, outra pessoa que adore esse tipo de assunto pode ficar aborrecida, visto que espera grandes coisas do livro. No entanto, esta segunda pessoa pode ainda assim achar o livro mais interessante que a primeira, apesar de relativamente ao que "parecia" o livro exceder e ficar aquém - respectivamente - das suas expectativas.

Por outras palavras, acabaste por não responder à minha pergunta. Achas o livro interessante?

E depois começam a sentir-se incomodados com a insistência do tecto. Que raio é que isso lhe interessa de qualquer maneira?

- Não. Não acho este livro interessante.
- Então porque raio é que estás a lê-lo?

E depois acordam e são 3 da manhã?

Essas noites são do pior né? Ainda bem que são raras.