Pergunto-me para onde irão as lágrimas que engolimos antes de mastigar.
Como é difícil enxotar a emoção inútil para o homem moderno. Se me perguntarem, é a próxima coisa a entrar no comboio sem regresso.
Mudei de ideias, e impossível isso acontecer.
Bem, até pode, apenas significa a perda do ser humano como o consideramos hoje em dia. Não é isso a evolução?
A emoção nasce das necessidades primais da sobrevivência. Chegando ao ponto em que sobrevivemos num mundo espelhado, tomamos consciência das variáveis que nos programam, valorizamos ainda mais, ainda que artificialmente, a sobrevivência, pois a sua fragilidade está então evidente. A emoção, um último recurso da natureza, o grito egoísta de um sistema que mostra as suas rugas quando o intelectual se auto-destrói, individualmente e em massa.
Chega. Venha a frieza da neutralidade. Venha o fim das preocupações. Não haverá mais sofrimento que alegria, neste mundo? Vamos aumentar o nível de satisfação deste serviço que é a vida, subir para 0.
Um zero é mais zero do que cinco menos cinco. Não necessita de uma força oposta, ele já lá está, no seu vazio empático, neutro... justo.
Não tenham pena do amor, da saudade, do que pensam definir a vida. Garanto que de nada disso sentirão a falta quando a emoção deixar de existir.
A única coisa que nos impede de nos livrarmos dela é ela mesma. É um pouco triste, não é? Manipuladora, até. Maldita, odeio-te, emoção.