Mais importante que ser alguém, é saber que se é alguém.
Mais importante que saber que se é alguém, é saber que se é alguém estupidamente limitado percorrendo a sua vida desajeitada e insaciavelmente à frente do indefinível ritmo do seu verdadeiro ser. Desconheço porém, a indelineável linha que me aproxima da vergonha da consciência deste conhecimento. Serei sempre um tumulto de sentimentos.
Sinto que sei que os outros não sabem da vergonha que sinto. É por isso que sinto vergonha e por isso que não sei se os outros também a sentem. É por isso que escrevo: para me afastar de uma vergonha que sempre caminhará lado a lado comigo presa à sombra do meu rosto. Sentirme-ei momentaneamente melhor.
Mais tarde voltarei a ter vergonha, destes falsos traços poéticos, destas vidas mal contadas, destas cobardes omissões, destes desvios de prazer, destas coisas que me fazem sentir melhor por fingir ser quem não sou.
E medo por permitir que pensem que sou quem de certeza não sou.
No entanto viveremos sempre descolados de nós próprios e presos a esta impotência de vivermos quem somos e hipoteticamente fugir deste ciclo vicioso interminável.
O pensamento é a base do ser humano, lá dizia Descartes: "Cogito, ergo sum". Penso, logo existo
09/05/2010
14/04/2010
Anything
Hoje estive a conduzir à chuva, e o instrutor tinha de me avisar para limpar o para brisas com as esfregas de vez em quando, porque eu esquecia-me. E cada vez que o fazia, era para os meus olhos uma sensação equiparável à dos meus pulmões quando inspiro após apneia. No entanto, ao contrário de tal situação (em que tenho consciência de que preciso de ar), eu não fazia ideia que era possível ver melhor o que estava à minha frente na estrada.
Quer dizer, saber sabia, mas inconscientemente. Como eu tinha visto o que se passava à minha frente antes de a chuva cobrir a minha visão, as manchas luminosas que se apresentavam correspondiam na minha cabeça a figuras com contornos perfeitos. Isto tem a ver com a memória, que completa a imagem que captamos, julgo eu.
Agora tenho que ligar isto a um aspecto mais geral da vida. Vamos ver... portanto... aaa....
AH, certo. Só nos apercebemos de como somos ceguetas quando nos põem óculos na cara, e ninguém nos garante que não há óculos melhores, portanto não podemos assumir que vemos bem sem ter a certeza que não estamos a basear-nos na nossa memória. E como basear-nos em algo exterior a nós inclui ter de o interiorizar, é impossível ter a certeza de que estamos a ver bem as coisas!
E como estamos a falar de algo inteiramente ligado ao cérebro, não tem nada a ver com os olhos ou a visão mas sim com a nossa percepção do mundo que nos envolve, sempre imperfeita devido às limitações do (ou de cada) ser humano.
Aqui já devem ter chegado milhões de pensadores, o que me leva a perguntar:
Para quê tentar pensar na verdadeira forma das coisas se o nosso ponto de partida é em si falso?
Se a resposta é "porque tudo o que é até hoje conhecimento parte do ser humano, esse é o ponto considerado verdadeiro", então ponham em todos os livros essa porcaria, não tenho de aceitar o que me enfiam pelos olhos como a verdade absoluta.
"ah mas a verdade absoluta é em si um conceito formado por pessoas"
Ah, ok então retiro o que disse.
Quer dizer, saber sabia, mas inconscientemente. Como eu tinha visto o que se passava à minha frente antes de a chuva cobrir a minha visão, as manchas luminosas que se apresentavam correspondiam na minha cabeça a figuras com contornos perfeitos. Isto tem a ver com a memória, que completa a imagem que captamos, julgo eu.
Agora tenho que ligar isto a um aspecto mais geral da vida. Vamos ver... portanto... aaa....
AH, certo. Só nos apercebemos de como somos ceguetas quando nos põem óculos na cara, e ninguém nos garante que não há óculos melhores, portanto não podemos assumir que vemos bem sem ter a certeza que não estamos a basear-nos na nossa memória. E como basear-nos em algo exterior a nós inclui ter de o interiorizar, é impossível ter a certeza de que estamos a ver bem as coisas!
E como estamos a falar de algo inteiramente ligado ao cérebro, não tem nada a ver com os olhos ou a visão mas sim com a nossa percepção do mundo que nos envolve, sempre imperfeita devido às limitações do (ou de cada) ser humano.
Aqui já devem ter chegado milhões de pensadores, o que me leva a perguntar:
Para quê tentar pensar na verdadeira forma das coisas se o nosso ponto de partida é em si falso?
Se a resposta é "porque tudo o que é até hoje conhecimento parte do ser humano, esse é o ponto considerado verdadeiro", então ponham em todos os livros essa porcaria, não tenho de aceitar o que me enfiam pelos olhos como a verdade absoluta.
"ah mas a verdade absoluta é em si um conceito formado por pessoas"
Ah, ok então retiro o que disse.
09/01/2010
Ele estava sozinho em casa. Sentia que tinha muito que fazer.
"Acho que acredito nele; enfim, era pura realidade."
Pouco podia fazer a não ser aquilo que realmente tinha de fazer. Mas custa! A monotonia cansava-o profundamente, cansava muito...
"No fundo penso que não seja bem monotonia. Acho que depende mais daquilo a que toda a gente chama gosto. (Nunca percebi bem o seu significado!)."
Ele não devia gostar. Ou então nem desgostava nem deixava de gostar, e aí sim, a monotonia também cansa. Era muito difícil para ele concentrar-se. Sempre foi. Ele achava que não deveria ter que ser assim. Agora, para não trair a sua consciência, não poderia fugir ao inevitável. Tinha de se conformar. Como alguém disse uma vez, "Começar é difícil".
"Concordo com ele."
Porém para ele manter era mais difícil.
Sentia o seu estômago ás voltas, mas não era de fome. Acabara de comer. Sentia-se estranho. Não era amor, tinha a certeza. Mas era de certeza próximo daquilo a que as pessoas costumam chamar de amor. Tinha de quebrar a rotina. Mas como!!
Normalmente tocava guitarra. Era isso. Era isso que lhe sentia que tinha de fazer, e era isso que de certa forma lhe aumentava o peso da consciência.
Mas não a tinha ali com ele. Assim continuaria a sentir-se estranho e a agir desse modo. Mas também não tinha a certeza se era isso que queria realmente.
"Pois".
Queria muito mais. Mas pensar nisso doí-lhe a alma. (Independentemente do que quer que isso seja).
Tinha de ser assim. Gostava de se sentir estranho, não tanto daquela maneira mas de outra mais bonita. Sim, mais bonita. Tinha de continuar. É a vida.
"Será que é?"
A consciência estava cada vez mais pesada. Eram 19:57.
"Acho que acredito nele; enfim, era pura realidade."
Pouco podia fazer a não ser aquilo que realmente tinha de fazer. Mas custa! A monotonia cansava-o profundamente, cansava muito...
"No fundo penso que não seja bem monotonia. Acho que depende mais daquilo a que toda a gente chama gosto. (Nunca percebi bem o seu significado!)."
Ele não devia gostar. Ou então nem desgostava nem deixava de gostar, e aí sim, a monotonia também cansa. Era muito difícil para ele concentrar-se. Sempre foi. Ele achava que não deveria ter que ser assim. Agora, para não trair a sua consciência, não poderia fugir ao inevitável. Tinha de se conformar. Como alguém disse uma vez, "Começar é difícil".
"Concordo com ele."
Porém para ele manter era mais difícil.
Sentia o seu estômago ás voltas, mas não era de fome. Acabara de comer. Sentia-se estranho. Não era amor, tinha a certeza. Mas era de certeza próximo daquilo a que as pessoas costumam chamar de amor. Tinha de quebrar a rotina. Mas como!!
Normalmente tocava guitarra. Era isso. Era isso que lhe sentia que tinha de fazer, e era isso que de certa forma lhe aumentava o peso da consciência.
Mas não a tinha ali com ele. Assim continuaria a sentir-se estranho e a agir desse modo. Mas também não tinha a certeza se era isso que queria realmente.
"Pois".
Queria muito mais. Mas pensar nisso doí-lhe a alma. (Independentemente do que quer que isso seja).
Tinha de ser assim. Gostava de se sentir estranho, não tanto daquela maneira mas de outra mais bonita. Sim, mais bonita. Tinha de continuar. É a vida.
"Será que é?"
A consciência estava cada vez mais pesada. Eram 19:57.
03/11/2009
...
As palavras são o melhor meio de comunicação criado até então. No entanto não deixam de ser a criação mais decepcionante da humanidade.
01/03/2009
Nada é perfeito
Sim, temos medo.
Um dia disseram que a capacidade de expressar o que pensamos, através da linguagem ou mesmo a escrita, dependia somente da "organização" e coerencia das ideias. Não acreditei. Sim, ajuda mas não é de todo o essencial. Nenhuma ideia é tão linear como uma ciência exacta, por mais simples que possa parecer. É incrivel como é possivel observar constantemente as tentativas frustradas de dar voz ao nosso cérebro.
Sim, é possivel acreditar no mesmo que ele!! Mas não vale a pena falar ou mesmo escrever. Acabariamos por "achar" algum ponto divergente, é inevitável. Acabariamos por nos sentirmos persuadidos, ou impotentes. Acabariamos por pensar: "Como e possivel!" ou "Impressionante, é obvio, porque nao me compreende!!". Sentiriamos o corpo a borbulhar por dentro, na tentativa de exprimir algo inexprimivel.
É o pânico quando se "fala" de sentimentos. Ai ai. o pior é que por mais concreto e simples que seja a ideia está lá sempre algo tão subjectivo. Nesse caso é melhor ficarmos calados. Criariamos inevitavelmente uma sombra, uma imagem falsa de nós próprios. E as pessoas não ajudam. Elas próprias têm sede de nos ver assim.
A culpa não é dos outros. É nossa. Não são os outros que não nos compreendem, mas nós que não nos compreendemos a nós próprios. Sim, temos de ter medo de nós próprios, e rendermo-nos às nossas limitações.
Não, isto não é o que eu penso nem aquilo que tu queres que eu pense, é simplesmente dejectos do meu cérebro, não contêm o essencial.
Um dia disseram que a capacidade de expressar o que pensamos, através da linguagem ou mesmo a escrita, dependia somente da "organização" e coerencia das ideias. Não acreditei. Sim, ajuda mas não é de todo o essencial. Nenhuma ideia é tão linear como uma ciência exacta, por mais simples que possa parecer. É incrivel como é possivel observar constantemente as tentativas frustradas de dar voz ao nosso cérebro.
Sim, é possivel acreditar no mesmo que ele!! Mas não vale a pena falar ou mesmo escrever. Acabariamos por "achar" algum ponto divergente, é inevitável. Acabariamos por nos sentirmos persuadidos, ou impotentes. Acabariamos por pensar: "Como e possivel!" ou "Impressionante, é obvio, porque nao me compreende!!". Sentiriamos o corpo a borbulhar por dentro, na tentativa de exprimir algo inexprimivel.
É o pânico quando se "fala" de sentimentos. Ai ai. o pior é que por mais concreto e simples que seja a ideia está lá sempre algo tão subjectivo. Nesse caso é melhor ficarmos calados. Criariamos inevitavelmente uma sombra, uma imagem falsa de nós próprios. E as pessoas não ajudam. Elas próprias têm sede de nos ver assim.
A culpa não é dos outros. É nossa. Não são os outros que não nos compreendem, mas nós que não nos compreendemos a nós próprios. Sim, temos de ter medo de nós próprios, e rendermo-nos às nossas limitações.
Não, isto não é o que eu penso nem aquilo que tu queres que eu pense, é simplesmente dejectos do meu cérebro, não contêm o essencial.
21/10/2008
Pois...
É um problema muito antigo, conhecido desde a Grécia antiga, sob a designação de "Paradoxo de Sorites”. Quantos grãos de areia são necessários para formar um monte? Se eu tiver três grãos de areia, não tenho um monte. E se só tiver quatro, também não. Em geral, se não tenho um monte, e acrescento apenas mais um grão, não passo a ter um monte. Mas, por este raciocínio, seria levado a concluir que uma enorme duna do deserto também não é ainda um monte, pois os grãos de areia que a formam foram, imaginemos, acrescentados um a um.
Já agoras: a partir de quantos cabelos é que passo a ser careca?
Já agoras: a partir de quantos cabelos é que passo a ser careca?
18/09/2008
Olá a todos!
Normalmente todos temos momentos em que "não temos nada para fazer", ou seja, momentos em que estamos inactivos. Enfim, nesses momentos venham aqui ler e talvez aprender, ou mesmo ensinar. Não sei, mas acho que há muito na vida que é perfeito apesar de não parecer. Então sejam bem-vindos!!!
Normalmente todos temos momentos em que "não temos nada para fazer", ou seja, momentos em que estamos inactivos. Enfim, nesses momentos venham aqui ler e talvez aprender, ou mesmo ensinar. Não sei, mas acho que há muito na vida que é perfeito apesar de não parecer. Então sejam bem-vindos!!!
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