04/08/2010

Eu olho para o mar e vejo o céu, mas se olhar para o céu não vejo o mar. Acham justo?

É tão triste, crescer. Tão triste.

Mais triste ainda é não dar por isso.

Mais triste ainda é não conseguir marcar no calendário, no relógio, o momento em que se mudou.

Isto porque o crescimento é algo permanente e demorado, não existem "fases" na nossa vida, existem períodos de tempo em que o crescimento não foi alvo de reflexão.

Eu queria ainda falar mais disto mas prefiro passar para o fim -> a morte.

Digo fim, porque acredito mesmo ser o fim (ainda que dê início a muitas coisas (aliás, assim de repente não consigo pensar num fim sem consequências (por outras palavras, um fim que não seja um início (é melhor começar a fechar os parênteses)))). Não faria sentido de outra maneira, e tudo o que vi até hoje na natureza faz mais ou menos sentido.

É triste, morrer. Tão triste.

Mais triste ainda é querer viver, e morrer.

Mais triste ainda é não querer viver, e morrer.

O mais triste, contudo, é a ausência de vontade, de viver ou morrer. Se bem que isso seja um pouco mais raro.

A morte está intimamente relacionada com o nascimento (é o inverso), visto que antes de nascermos não existiu nada, e esse mesmo vazio nos deve esperar quando morrermos.
Há pessoas que acreditam na vida para além da morte, e a essas, só lhes digo: óbvio.

É claro que há vida além da morte, vocês não são nenhum profeta ou adivinho, é tão estúpidamente fácil de entender que isso é a única hipótese que faz sentido que não tem necessidade de ser proferida como uma revelação espiritual.

A morte é um vazio. E esse vazio é, por sua vez uma tela. A vida é a tinta que a pinta. Agora, o que é a pintura: a tinta, ou a tela? Por outras palavras, ambas estão dependentes uma da outra, mas apenas a tinta se revela mesmo como a pintura.

Isto relacionado com a vida o que significa? Significa que não faz sentido falarmos da morte, porque esse conceito em si apenas existe enquanto estamos vivos.

Ora, a vida não poderia existir sem a morte (a tal coisa da dependência mútua), pois bem amigos, chegamos a uma conclusão deveras original:

Como só vivemos quando não estamos mortos (quem leu só esta frase deve ficar com uma boa impressão minha), e a vida e a morte são faces da mesma moeda, é mais que fácil concluir que de facto, depois da morte só existe vida - porque nada é infinito.

Nada.

2 comentários:

  1. Estás na lista de link do meu blog.
    Parabéns por este pedaço delicioso de blogosfera.

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  2. @João
    Não sei se esse comentário se refere apenas ao post em questão se a todo o blog. Se é apenas ao post, que não fui eu que escrevi como podes ver, não poderei responder por palavras que não são minhas, mas irei entregar os teus parabéns ao autor, de qualquer das formas, agradeço-te teres passado por aqui e teres achado que merecia uma adição à lista do teu próprio blog

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